Eu não tinha entendido muito o que ele queria dizer com isso. Achei que era uma coisa de não precisar de muito acabamento (essas coisas de porcelanato e tudo o mais). Mas depois ele refinou: "Tem que sair para pesquisar preços, materiais diferentes, etc..." A Clau falou que adorava fazer isso e eu torci um pouco o nariz porque já me imaginei numa loja e ela parando para ver cada coisinha linda. A Clau e os irmãos dela têm muito bom gosto para as coisas, mas ficam horas escolhendo e no final ainda perguntam se não tem uma coisa meio mussarela e meio calabresa. Imagine eu...
O negócio é que o nosso dinheiro tem um limite e quando a gente vai comprando as coisas que precisa para a obra, a subtração começa a me assombrar matematicamente. Caçamba a duzentos reais, por três dias? Quantas caçambas nós vamos precisar e por quanto tempo? Contas... contas... contas...
Dei uma volta no bairro, passando pelos locais onde eu sei que a galera não tem muita grana para fazer a obra (morro do Querosene, Bonfiglioli, etc) e fui anotando na mão os telefones de empresas de caçamba. Cheguei em casa e descobri uns vizinhos que fazem o aluguel por R$ 160 por cinco dias. Me explicam que o bairro não faz parte do centro expandido e que o caminhão pode levar e trazer a caçamba em qualquer horário. Bingo! Quarenta reais a menos por caçamba, dois dias a mais e entrega facilitada!
Hélio me passou dois orçamentos das madeiras que a gente ia precisar na obra. Um deles tinha um preço bom, mas era demorado na entrega. O outro era mais perto da obra, mas era mais caro.
A coisa ia ficar cara, se a gente fizesse as escoras da laje usando cedrinho. Saia mais de R$ 2000,00. Tá certo que eu devo usar muita madeira depois, para fazer uns acabamentos. Mas duas pilas só nisso? Optamos por Pinus, para essa primeira parte.
Sai de carro com a Clau e o Pedro e fui rodando pela Raposo, procurando madeireiras. Passamos um pouco do Rodoanel quando eu me lembrei que tinha visto uma madeireira em frente ao portão 3 da USP. Na verdade eram duas, uma perto da outra.
Na primeira já conseguimos um orçamento muito próximo da que o Hélio tinha nos passado. A diferença é que eles não nos cobrariam o frete. Na segunda, eles não trabalhavam com pinus.
Fizemos as contas e a Clau disse: "Amanhã a gente negocia e consegue mais barato ainda e sem pagar o frete". Eu tenho medo quando ela diz: "a gente..." e já logo disse: "é melhor você fazer isso, porque eu sou uma merda negociando". O resultado é que a gente economizou quase duzentos reais nessa brincadeira. Os caras me entregaram o material no mesmo dia.
Na quinta, almoçando com o Hélio, nos liga o Zé, o cara que nos venderia tijolos de demolição e o assoalho de peroba rosa. O cara queria nos entregar metade do pedido de tijolos na sexta-feira e já levar o assoalho! O Hélio disse que o cara é muito louco mesmo. Ele tinha nos prometido o material para a próxima semana e de repente nos liga querendo entregar no dia seguinte. Por sorte, não temos espaço na obra ainda...
Fiz as contas dos tijolos: R$ 0,40 a unidade. R$ 400 o milheiro. Vamos usar onze milheiros: R$ 4400. Já comecei a coçar a cabeça... Ainda falta concreto, ferro, cimento, areia, brita, material elétrico, hidráulica, mão de obra...
A matemática tem me acordado mais cedo...
Ontem a Clau me veio com a idéia de pegar a Raposo Tavares em plena sexta-feira para dar uma voltinha e ir visitando as lojas. TERROR! Falei pra ela que era melhor deixar para depois, mas não consigo ser muito convincente e acabei indo com eles dar a tal voltinha. No caminho fui falando para ela ir anotando os telefones de todas as lojas que pudessem nos servir. Depósitos, madeireiras, serralheiros, materiais de demolição, caçambas...
Andamos uns 50 kilômetros quando eu percebi que tinha perdido o retorno que evitaria o pedágio da Raposo. R$ 5,40 a menos.
Entramos no Km 39, na estrada para o Parque Caucaia, porque eu me lembrava de ter visto umas lojas de material de demolição no caminho. Não sabia bem em que altura, mas me lembrava do jeitão da loja.
Bom, descobrimos a Demolidora Sólon, que nos cobraria R$ 295 no milheiro do mesmo tijolo e ainda nos faria o assolho bem mais barato que o Zé. Fora o monte de coisas interessantes que têm por lá.
Liguei pro Hélio e marcamos de passar lá na terça, para avaliarmos o material e vermos se é negócio mesmo.
Em três dias economizamos quase três mil reais!
Tô achando que ser descolado é descolar a bunda da cadeira e ir brigar com a subtração...

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