Domingo a gente se mudou aqui para o Butantã, finalmente. Estou escrevendo esse post aqui da bancada do escritório, de frente para uma janela que um dia vai dar para uma trepadeira na parede. Atrás de mim, o Pedro assiste ao Cocoricó e à minha esquerda, na cozinha, a Clau ajeita o nosso almoço.
Acabei de descer do andar de cima, agoniado com a zona que ainda está a nossa casa. Caixas para todo lado, pintor terminando de resolver as paredes do quarto do Pedro e do nosso quarto, pedreiro assentando a pia do banheiro de cima e terminando a parede dos fundos da casa... A casa é nossa mas ainda é a obra deles também e isso vai gerando uma chateação sem fim. Os caras são muito bacanas, mas essa não é a casa deles. Então eles largam as coisas onde for mais fácil de pegar depois e outras coisas do gênero.
A gente queria fotografar o estado atual da mudança, mas não temos a menor idéia de onde está a máquina fotográfica. Ontem eu passei a tarde inteira organizando o escritório e a biblioteca, jogando coisas fora, dispensando caixas e parece que eu não fiz nada. Tentei resolver o cabeamento de rede, coisa que faço com tranqüilidade normalmente, e não consegui deixar a coisa funcionando.
Agora à tarde eu vou na Vespasiano acompanhar a vistoria do imóvel e depois passo na imobiliária para assinar a nossa saída de lá. Ainda tenho que trazer a escada marrom, garrafas de cerveja vazias e muitos vasos de planta que ainda ficaram. Estou rezando para não ter que pintar nem fazer nada na casa velha. Sexta-feira eu tenho a primeira diária do longa que vou fazer e reestréio "Escombros", peça que não faço a mais de um ano. Não posso nem pensar em ter outra coisa para fazer.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Nem cá nem lá
Estamos mudando... Finalmente. Até esqueci de escrever isso aqui, porque estou desmontando a casa na Vespasiano e montando a casa na Próspero. Hoje eu cheguei aqui na Lapa e me dei conta de que já não estou aqui. Tinha uma tomada do fogão rompida e eu só tirei o cabo do fogão e liguei em outra tomada. Se a casa ainda fosse a minha, eu teria arrumado a tomada.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
as pessoas amadas, o preciso e o amor das pessoas
é engraçado. esse mundo tá tão cheio de individualismo que às vezes a gente precisa precisar pra ver que tem ajuda. Tem um valor tão grande em conseguir fazer as coisas sozinho, "sem precisar de ninguém", que a gente esquece como pode ser bom precisar dos outros.
dessa vez, precisamos mesmo.
na reta final da coisa, tivemos surpresas lindas e surpresas desagradáveis. Fazendo e refazendo contas, fazendo, refazendo, vendo o que se podia vender ao invés de vender a alma, nos vimos cercados de carinho.
Dona Socorro e Seo Djair, sempre dispostos a colocar a mão na massa, a ficar com o Pedro nos momentos difíceis, sem falar da torcida...
Meus pais e o apoio de sempre, minha mãe recém-operada tentando ajudar de longe, mais do que já ajudou.
Imãos: Alf, e seus empréstimos a longo prazo. Felipe e Lucas, e a força nos multirões.
Irmãs: Denise, Dri, e as aparições carinhosas, força de sempre. Força de irmã, tão necessária agora, especialmente para mim, tão cercada de homens e guerras diárias, tão em falta com energia feminina, apesar do que pede uma gravidez. E nessas forças inesperadas de irmã, um presente da Dayse. 500 pounds! (nunca torci tanto pra esse câmbio subir!) Chorei até com a notícia, não só pelo alívio de parte das contas, mas por perceber tudo isso: ver que precisar pode ser bom pra gente perceber do quanto precisa pra viver, do que é essencial pra viver.
Obrigada a todos, por nos mostrar que a dependência do outro é uma bênção.
Só um sistema decadente, frágil e artificial acredita em self-made-man. todo o resto, verdadeiro, é pura dependência em harmonia. simbiose.
dessa vez, precisamos mesmo.
na reta final da coisa, tivemos surpresas lindas e surpresas desagradáveis. Fazendo e refazendo contas, fazendo, refazendo, vendo o que se podia vender ao invés de vender a alma, nos vimos cercados de carinho.
Dona Socorro e Seo Djair, sempre dispostos a colocar a mão na massa, a ficar com o Pedro nos momentos difíceis, sem falar da torcida...
Meus pais e o apoio de sempre, minha mãe recém-operada tentando ajudar de longe, mais do que já ajudou.
Imãos: Alf, e seus empréstimos a longo prazo. Felipe e Lucas, e a força nos multirões.
Irmãs: Denise, Dri, e as aparições carinhosas, força de sempre. Força de irmã, tão necessária agora, especialmente para mim, tão cercada de homens e guerras diárias, tão em falta com energia feminina, apesar do que pede uma gravidez. E nessas forças inesperadas de irmã, um presente da Dayse. 500 pounds! (nunca torci tanto pra esse câmbio subir!) Chorei até com a notícia, não só pelo alívio de parte das contas, mas por perceber tudo isso: ver que precisar pode ser bom pra gente perceber do quanto precisa pra viver, do que é essencial pra viver.
Obrigada a todos, por nos mostrar que a dependência do outro é uma bênção.
Só um sistema decadente, frágil e artificial acredita em self-made-man. todo o resto, verdadeiro, é pura dependência em harmonia. simbiose.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Coração Partido
Quando a gente é criança, ama tanto alguém, em tamanho silêncio, que até dói. Eu tinha me esquecido dessa dor de estar apaixonado e não ser correspondido. Essa dor de criança. Fui dispensado do Micael no sábado e estou com o coração partido desde então, como se o amor da minha vida tivesse me deixado.
Nada que eu tenha escutado, nada que eu pense, nada além do tempo parecem curar essa dor no peito. Essa dificuldade em seguir vivendo do mesmo jeito.
Nem mesmo estar no palco aliviou esse sentir. Nem mesmo o amor da minha família, tão especial. Nada.
Estou de aviso prévio, até dezembro, mas já não estarei com eles. Nem sei com que coração eu vou até lá assinar a papelada toda da minha demissão nessa semana.
Agora mesmo eu só penso que isso pode ter acontecido para que eu entenda de uma vez o que eu sei fazer com o teatro.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
o aqui-agora de agora II
Se há um momento de instabilidade, é esse.Acho que nunca passei por tanta coisa junta.Obra, Marcha Mundial, trabalhos de autoconhecimento, maternidade, gravidez, trabalho, e todas as tensões provenientes de tudo isso. Várias situações me colocando na berlinda, no limite, a maternidade me dando eixo para não sucumbir à auto-piedade. Sim, sempre se pode agüentar mais um pouco.Tenho tomado contato com sentimentos raros. Muita raiva, por exemplo. Ou talvez ela nunca tenha mostrado seu rosto de forma tão clara. Muita luz também. Muitos presentes da vida, mas nada, nada, sendo fácil. Tudo mais difícil que esperávamos na visão romântica, presentes que jamais esperávamos aparecendo do nada. Um presente, um desafio, um presente, um desafio, uma crise de choro, um dia esplêndido de autoconsciência, outra crise de raiva, um dia de luz. Sinto, sinceramente, que estou perdendo algumas referências do que penso ser, não dá tempo de sentar. Nem de descansar. Nem de voltar a ser o que era. O cansaço é muito, mas as situações exigem atenção constante, intenção constante, cuidado constante, e não param.Tem sido assim pra mim, pro Dja, pro Pedro (e talvez pro Gabriel)Ou seja, a gente tem que se amparar, um não consegue se escorar no outro. Não dá pra ninguém ser tadinho.Tenho me irritado com coisas simples, tenho me emocionado com coisas simples. Hoje, o Pedro tentava cantar a música que ouvia no carro. Foi uma cena tão singela, tão linda, e nada romântica, no meio de tanta fúria, de tanto tsunami, era ali, naquele carro sujo da obra, nesse dia tão peculiar de trânsito horrível, nesse dia em que o Dja matava mais um leão (ou enfrentava suas feras interiores), nesse dia em que eu só queria colo e era colo de três – nesse dia, ele cantando no carro com a língua meio presa, me fez descongelar e perceber a delicadeza que existe em todas as coisas. Estou em contato com sentimentos tão intensos, tão viscerais, que esse momento de pluma pairou no ar por um instante, encheu meu coração de alegria, e no segundo seguinte estava de novo no turbilhão ainda lidando com essa emoção.Tudo ao mesmo tempo, tudo agora. Nada trágico. Muita consciência de tudo, inclusive das armadilhas, das próprias compulsões, do desejo de fugir desesperadamente pra longe de que nem eu sei. Fico, fico, fico, chacoalho, desreferencio, me permito ser outras, me permito ser raiva, ódio, perdão. Me permito descer, e assim acredito nas luzes. Não são luzes românticas, luzes do “querer-ver”, mas as luzes que brotam da escuridão. Descendo, se sobe de verdade.As verdades. Viver as verdades, sem maquiagens, sem preconceitos, fazer disso a meta, o propósito. Sentir orgulho pra poder se arrepender. Sentir que se sente sentimentos condenáveis. Querer fazer um muro de fuzilamento e no momento seguinte perceber a criança ferida por trás da metralhadora. Sentir a tristeza da frustração e mesmo assim ter que dar o próximo passo, até saber que essa tristeza é passageira. Sentir, sentir, sentir, errar, pedir desculpas, ver o mecanismo, tentar acertar, ter que ganhar dinheiro, ver o dinheiro ir embora mais rápido que se pode ganhar, daí ganhar um presente da vida, agradecer o presente, perceber um novo desafio, cuidar do filho, esquecer de cortar as unhas dele, esquecer a água no fogo, estar com a casa encaixotada há três meses, amar e ser amada, saber que há alguém do lado dividindo as aflições, dividindo o pior e o melhor de cada um, podendo falar disso sem medo de que o outro vai me abandonar pelo feio que às vezes sou, nem que vou abandonar o outro pelo feio que às vezes vejo, saber que a vida real é essa, valente, profunda, às vezes desmedida, e quando se chega nessa corrente só se pode pedir mais um pouco de ar até que se chegue na margem. E se possa ficar só um pouco, só um pouco, no sol.Acho que nunca senti uma corrente de vida passando tão intensamente por mim, por dentro de mim, crescendo em mim, transbordando, e com tanta auto-consciência. Nunca passei tanto tempo sem pedir colo de mãe, até porque nesse momento é ela quem também precisa. A cada passo, a cada “não agüento” (como não, se a gente segue?) a cada nova surpresa, novas perplexidades. Cuidando da casa, das crias, do mundo, tentando, nisso tudo, entender de onde venho, tentando, nisso tudo, desacorrentar os personagens internos e conviver com cada um. Perder o medo da escuridão, encarnar de vez. Existir. Estou deixando de ser, ou passando a ser.Agradeço. E é só.
me deixa sair daqui?
algo pode ser pior do que vizinhos de baixo sem noção ligarem um PAGODE no último volume?
pode.
eles começaram a CANTAR JUNTO.
Aí eu recito meu mantra: estoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudança...
a escada já acabou. o Osmar tá quase acabando de lixar as paredes. Estou criando coragem pra ligar e ver se o vidraceiro passou por lá hoje (só falta o vidrão de cima pra fechar a casa toda, e esse já quebrou 2 vezes)
O Luis novo (que substituiu o antigo) trabalha com tamanho bom humor que não imagino como aguentamos tanto tempo o mau humor do outro.
Presentes, presentes, presentes. Hoje é dia de chuva, mas na obra faz sol.
(Porque te amo, porque te amo, porque te amuuuuu - é só o que essa música horrível diz. agora tem aplausos ao vivo)
conforme é visível, estou no limite de tolerância com qualquer chatice. mas feliz em saber que as coisas estão caminhando.
A lavanderia nova começou a ser feita hoje. E como nos empolgamos com as qualidades, o humor e o preço do novo Luís, fechamos um pacote pra fazer até a cisterna, pra terminar de uma vez com a quebradeira geral, cavar o que for necessário logo de uma vez, e eu já vou plantar minha árvore como coroação de uma nova etapa na vida.
(porque eu não consigo ser tão feliz como esse cantador de pagode? Agora ele grita que é feliiiíííííííííííiizzz, que é felíízzzz....)
O Osmar vai fazer um faxinão geral e a partir de semana que vem vamos colocar as CORES NAS PAREDES!
(tinha começado "Madalena", com a Elis Regina. Eu quase morri de alegria, mas claro, ela foi trocada bruscamente por "eu não aguento maaaaaaaais, aquela mulher, ela desconsiderou meu coraçãããão...)
estoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudança
tem que aguentar até lá. tem jeito?
pode.
eles começaram a CANTAR JUNTO.
Aí eu recito meu mantra: estoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudança...
a escada já acabou. o Osmar tá quase acabando de lixar as paredes. Estou criando coragem pra ligar e ver se o vidraceiro passou por lá hoje (só falta o vidrão de cima pra fechar a casa toda, e esse já quebrou 2 vezes)
O Luis novo (que substituiu o antigo) trabalha com tamanho bom humor que não imagino como aguentamos tanto tempo o mau humor do outro.
Presentes, presentes, presentes. Hoje é dia de chuva, mas na obra faz sol.
(Porque te amo, porque te amo, porque te amuuuuu - é só o que essa música horrível diz. agora tem aplausos ao vivo)
conforme é visível, estou no limite de tolerância com qualquer chatice. mas feliz em saber que as coisas estão caminhando.
A lavanderia nova começou a ser feita hoje. E como nos empolgamos com as qualidades, o humor e o preço do novo Luís, fechamos um pacote pra fazer até a cisterna, pra terminar de uma vez com a quebradeira geral, cavar o que for necessário logo de uma vez, e eu já vou plantar minha árvore como coroação de uma nova etapa na vida.
(porque eu não consigo ser tão feliz como esse cantador de pagode? Agora ele grita que é feliiiíííííííííííiizzz, que é felíízzzz....)
O Osmar vai fazer um faxinão geral e a partir de semana que vem vamos colocar as CORES NAS PAREDES!
(tinha começado "Madalena", com a Elis Regina. Eu quase morri de alegria, mas claro, ela foi trocada bruscamente por "eu não aguento maaaaaaaais, aquela mulher, ela desconsiderou meu coraçãããão...)
estoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudançaestoudemudança
tem que aguentar até lá. tem jeito?
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Osmar e Luis
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