hoje, por razões adversas, depois da chuvarada de ontem, o clima mudou.
esfriou fora, calentou dentro. uma paz.
acordei na hora de sempre, pra fazer o café antes da obra começar. mas conforme eu já esperava, a obra hoje não aconteceu. o Luis não veio, e seria uma surpresa se ele viesse em plena sexta, depois do caos na cidade ontem, sem ajudante, e com todos os problemas familiares dele.
sem obras, a casa virou uma casa.
aí saímos pra fazer coisas mundanas, cotidianas, banais, como passar no mercado, padaria. voltamos, e o Pedro deitou-se no meu colo, como não fazia há muito tempo, só no tempo que ainda mamava. e eu, fazendo cafuné, em pleno silêncio de uma casa sem obras, senti uma paz tão gostosa, tão esperada, que pensei que seria impossível tendo a cisterna aberta, o quintal cheio de lama e mais um problema pela frente.
hoje a casa era um lar.
no meu colo, entre cafunés e silêncios, ele dormiu. o Dja saiu pra filmagem, e eu me vi sozinha, em plena sexta, em plena tranquilidade. respirei fundo e me lancei a resolver as pendências. Pra descontrair, entrei no facebook pra ler as bobagens de sempre, e como quem não quer nada perguntei se alguém conhecia pedreiro. A resposta veio rápida, e rapidamente liguei. o nome dele é Vando, e ele estava livre! amanhã vem aqui.
Já quis marcar, pelas dúvidas. o Vando tb mora longe, em Franco da Rocha, pros lados do outro Luis. Nenhum mora perto. é uma vida muito louca mesmo a deles. Ele vem amanhã ganhar o dia e fazer orçamento, caso o segundo Luis dê um cano na gente, o que pode muito bem acontecer. As tempestades não eram só no céu. A longo prazo numa obra, quando a novidade do trabalho desaparece, me parece que a vida de cada um deles começa a pesar, os problemas domésticos antes deixados tão longe começam a brotar das pedras, dos muros, dos tijolos, e viram fantasmas vagando pela obra. é uma sensação estranha, como ver todo o filme da injustiça e desigualdade passando, repetidamente, que nem o cocoricó do Pedro, nos muros do quintal. Nós somos uma família se estruturando, nascendo, crescendo, a dele desmoronando, e por mais que ninguém tenha culpa a comparação é inevitável e pesa pra caramba, pesa pros dois lados. mesmo sem culpa. porque esse mundo não está justo, e normalmente isso fica bem delimitado, mas na intimidade de cada dia não dá pra não pensar. E eu me pegava tendo pensamentos controversos, ao mesmo tempo a consciência de todos os problemas sociais chegando pela minha porta todos os dias, ao mesmo tempo querendo essa paz de hoje, essa paz de poder ficar só um pouco quieta com meus filhos sem saber de todos os problemas lá de fora. Cansada de tudo, com medo de ser injusta, mas louca pra ter uma casa que fosse só casa, afinal.
hoje foi assim.
fiz coisas estranhas, como escrever. dei uma chegadinha lá onde eu sou, verifiquei se eu ainda estava, e ainda era. Já não quero mais chorar, o ar melhorou no peito. E fazer cafuné entrou na agenda do dia.
Amanhã vem o Vando. não sei o que será. gostaria muito que o Papai Noel me desse um quintal pronto, pra virar o ano sem pisar na lama... mas só de ver que ainda tenho esse lugar dentro de mim, que eu só precisava de um dia de alento e cuidado, já é o maior dos presentes.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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