Na segunda-feira, depois do domingfo bucólico, chegou a tropa de Franca. Chegaram pra arrepiar. Já saíram lixando tudo.
O Dja explicou, mas eu tb explico: ficamos reféns de pintores, e a casa, toda feita de tijolinhos aparentes, precisava ser lixada e impermeabilizada, para não correr o risco de virar um mega bolo de mofo daqui a uns tempos. Daí sabe aquela coisa que vc sabe que tem que fazer um dia, que no dia que fizer vai ser foda, e aí o dia chega? Pois é. Graças à minha supermãe, que mandou um time de confiança, pudemos fazer isso antes do Gabriel nascer. Porque se ficasse pra depois, sabe-se lá quando é que a gente ia tomar coragem.
No primeiro dia, eles lixaram lá em cimão, e já saiu um pó medonho. À noite acabou a luz (terceira vez desde que mudamos que dá apagão no bairro), e todos ficaram no teto da casa, lembrando pro Dja e eu a função lúdica daquele lugar. Já disse que a gente não sobe muito por aflição da manta descoberta, mas à noite dá pra ver menos os defeitos e mais a cidade. E um céu com raios caindo ao fundo (o que eu, particularmente, adoro ver, se estiver lá longe).
No segundo dia, saí cedinho antes deles começarem, não para fugir, mas para um exame de sangue (lembrando que estou no último mês de gravidez) Na volta, passei na marmoraria pra comprar a soleira, e quando parei em frente a casa, uma imagem me paralisou no carro, com pânico de sair: Duas máquinas poderosas pilotadas por dois pintores com todo o gás do mundo e uma nuvem de poeira rodeando a casa e se espalhando para todas as direções possíveis. Na mesma hora, agradeci aos vizinhos ótimos que temos, mas também temi pela sanidade deles. E justamente estava o Sr Domingos na porta, com seu jeito calmo e mineiro.
Já fui lá pedir desculpas, ele disse que não era nada e ficou admirando as mudinhas que trouxemos de Franca. Aí o Pedro me viu, e claro, como foi acordado com o barulho, a poeira e o caos, estava sendo o mais legal que alguém pode ser nessa situação com 2 anos de idade. Ainda conseguia olhar pras orquestras dele e abstrair, mas eu, que não tive essa desconexão, fiquei desesperada para sumir. Peguei a mala que não desarrumei da viagem anterior com tudo, sem pensar por que levar tanta coisa pra um dia, peguei o lap sem saber se usaria, peguei tudo o que podia e fui pro ap. e passei lá o dia, conversando com a Dri, enquanto por aqui o bicho pegava e o Dja ficou na função. Mas minha cabeça ficou na casa, no que estava acontecendo, na poeira que tinha entrado, aflições...
Quando cheguei, o quadro era empoeirado, mas já estava amenizado por alguns jatos de água. O Dja estava simplesmente morto, e com a perspectiva de acordar de madrugada pra buscar mais um que chegaria cedo, no busão que vai pro Brás. Tudo isso para que termine tudo mesmo em 2 semanas. Como a poeira era muita, fui dormir na casa da Denise, completando o circuito das irmãs. Ainda ficamos conversando até tarde, mas antes que eu fizesse feio e dormisse no meio de um comentário, apaguei.
Hoje fez um calor de doer a cabeça. Comecei o dia tirando sangue (ontem o exame não rolou), o que é bastante significativo nesse momento. Em um dos exames, tinha que esperar uma hora entre tomar um negocinho e tirar mais sangue. A enfermeira disse: você tem que descansar. E entrei numa salinha onde havia mais 2 grávidas na mesma situação. Umas poltroninhas meio fofas, uma TV com Ana Maria Braga e revistas de fofoca. Fiquei lendo uma que nunca soube da existência até hoje: da Joyce Pascovitch (não sei se escreve assim, mas entende-se quem é). Mundo de Alice total. Percebi minha rotação acelerada em comparação com as outras gestantes, que conseguiam manter o comando "descansar"a sério. Eu dand o sangue e achando que desansar era surreal.
Enfim, hoje a Jô veio aqui e - coitada dela - encarou a árdua tarefa de limpar a parte mais grossa da poeira. Pelo menos não dá mais desespero de ficar aqui dentro, apesar de saber que cada livro da estante guarda quase um tijolo inteiro. Agora a parte das lixas acabou, graças a Deus, porque além de tudo as bichas são caríssimas. E resta o barato do verniz que estou sentindo nesse momento.
E esqueci de falar: hoje o Sr. Vando tá acabando a lavanderia. Colocando os pisos, enfim. Outra cena incrível.
Olha, vou te falar: Acho que até consigo acreditar nessa casa pronta antes do Gabriel chegar...
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
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