Sexta-feira, 5 de fevereiro. Acordo às 7 da manhã e desço para fazer o café. O pedreiro chega em pouco tempo e começa a organizar as ferramentas para trabalhar. Na sala de casa, dois pintores estão dormindo e acordam com a movimentação. Falta terminar de envernizar algumas janelas, aplainar alguns encaixes que não estão deixando portas e janelas se fecharem. Na garagem é preciso montar os drenos e deslocar a rampa de acesso do carro.
Tomamos café e os pintores montam os andaimes para retirar as venesianas que precisam de ajuste. As duas janelas do escritório são as cobaias da nova plaina elétrica que eu comprei na véspera. Começo uma coisa e a Clau me chama para resolver outra. Quando vou atender, o pedreiro me chama e pergunta se eu vou terminar os drenos da garagem. Sobrecarga!
A Clau vai arrumando a parte de dentro da casa, dentro do possível.
Trabalhamos 13 horas seguidas e quase concluímos o que faltava. Nem a chuva do final da tarde nos parou.
Às 20 horas, as contrações começam. Os pintores começam a ficar alarmados. A Clau não tem fome. Os caras se sentam na mesa para jantar com os olhos grudados na Clau. Ligamos ou não para a Vilma?
A Clau prefere esperar para ver o que acontece com as contrações. Subimos.
"Clau, é melhor o nenê não nascer hoje. Sério. Não tenho a menor condição de lidar com isso. Estou exausto." digo isso com toda franqueza, para desespero da Claudia. Dormimos.
Quer dizer, eu dormi. Claudia acordando a cada contração. Balsanufo e Luis, os pintores, sem conseguirem pregar o olho, com medo de testemunhar o parto.
Sábado, 6 de fevereiro, 5 da manhã. Acordo de um sonho. Gabriel me chama para brincar. E eu digo "Agora não, filho. O papai está tão cansado....". Já meio acordado, me censuro e digo, "tá bom, pode vir.. o papai agüenta". Abro os olhos no meio de uma contração da Claudia. Pego o celular e confiro as horas. Tarde demais para avisar ao pedreiro que não venha. Mando uma mensagem ao meu pai, pedindo a ele que leve os pedreiros até a barra funda. Mando outra mensagem à parteira, avisando que as contrações estão mais fortes e mais regulares.
Levanto, começo a fazer o café. Novamente, acordo os pintores com o barulho da função. Tomamos café.
"Melhor colocar de volta as venesianas. Não vamos conseguir fazer isso hoje. O bebê está nascendo. Não pintem nada com esmalte ou verniz. Terminem a parede da frente da casa e depois me ajudem a fazer uma faxina". Ligo para o pedreiro, que já está a caminho. Aviso a ele sobre a situação.
Quatro homens fazendo uma faxina na casa. Em duas horas, liberamos a cozinha de todas as minhas ferramentas, aprontamos a lavanderia, enchemos a caçamba, limpamos todo o quintal e todos os andares da casa.
Enquanto isso, Claudia liga para o meu pai e para a parteira. Nove e meia, chega tranqüilamente a parteira, depois de se perder pelo bairro. Balsanufo não se conforma com a tranqüilidade geral. Conduzo a Vilma até a Claudia e desço, avisando ao pessoal que não subam mais. Logo em seguida, chega meu pai, depois de várias encomendas (fraldas tamanho RN, cocos), coloca pedreiro e pintores no carro e sai.
Dez e pouca, começamos a nos preparar. Tranco as portas, lavo as mãos. Vilma massageando a lombar da Clau, castigada pelas contrações. Vão fazendo os exercícios para soltar a bacia. A Clau abraça a bola de Pilates e percebe que Gabriel está nascendo. Escuto a Vilma falar baixinho "Rompeu bolsa". Ela se levanta, pega sua maletinha e se prepara.
Onze e cinco da manhã, vejo mais um filho saindo e começo a chorar percebendo que eu estava morrendo de medo de não me conectar com esse parto, porque passei mais de um ano construindo uma casa e todo o resto parecia tão menor. Choro porque me conecto com essa criança.
A Clau logo se levanta e vai para a cama, com Gabriel nos braços. Vilma organiza o espaço enquanto a família chora. Não sei quanto tempo depois eu já sinto a falta do Pedro, que está na casa dos meus pais. Meu olhar se distancia. Vilma percebe. Dali a pouco eu comento que estou com saudades do pequeno e morrendo de vontade de ver o que ele vai sentir com a chegada do irmão.
A obra não acabou. Mas agora eu tenho coisa mais importante para fazer.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
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