Uma casa abraçada por um jardim. Foi essa a frase que Hélio nos trouxe de presente. encheu nossas vistas e, particularmente, meu coração de alegria. E o coração é a imagem que agora tem me vindo para indicar o que é essa obra. Um coração cercado de uma mata.
Essa possibilidade de estar abraçada pela mata, protegida pelos tijolos aparentes e térmicos, arejada pela ventilação cruzada e pelos espaços amplos e inspirada pela vista magnífica e pelo céu estrelado que finalmente - em 16 anos de SP - poderei contemplar é a imagem que dá força nesse momento. Sim, a obra anda, as coisas acontecem com a ajuda de muitos. Mas a espera, a espera...a espera.
Aí penso: o jardim não está só lá fora. não apenas ao redor da casa, mas é a própria casa. Esse é o tempo da espera, aquele tempo em que as mudas já brotaram, mas ainda não há sombra. O cuidado sempre necessário, a manutenção, o carinho. O prazer de enfiar a mão na terra, sujar-se de barro. Passar pelo inverno, esperar a primavera.
É esse um jardim vivo, não aqueles de shopping. Ver as plantas crescerem, ver a vida tomar seu espaço, executar sua dança no tempo moldando seus troncos. Como vemos os tijolos tomando contornos de paredes. Como esperamos, ainda na casa atual, já chamada de "antiga", abarrotada de coisas e sonhos. No escritório improvisado com a mesa mais alta que deveria, cadeira mais dura que deveria, espaço menor que gostaríamos, esperamos, prenhes de expectativa.
O sol não vai andar mais rápido por causa disso. Então é melhor imaginar o jardim, mas se encantar com as primeiras folhas, ainda que frágeis, mas mais concretas que o sonho puro. Folhas tingidas de barro de demolição.
sábado, 7 de março de 2009
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